Amazônia em foco: o fogo, as cinzas e as madeiras derrubadas da maior floresta tropical do mundo

5 de Setembro de 2019

Dia 5 de setembro, Brasil, Planeta Terra.

O Dia da Amazônia, 5 de setembro, marca o reconhecimento da importância e significância da floresta Amazônica, a maior floresta tropical do mundo. Sua proeminente presença no território brasileiro sempre foi motivo de orgulho, celebração e valorização da nossa natureza.

Entretanto, a região mais biodiversa do mundo, com a maior bacia hidrográfica do planeta, com uma riqueza sociocultural de importância ímpar na cultura e história do Brasil, a depender dos valores e interesses, pode representar um entrave ao dito "desenvolvimento". Mas que desenvolvimento é esse afinal? Velhas práticas políticas e econômicas, que não condizem mais com a realidade mundial de ação global pelo equilíbrio socioambiental,  continuam buscando mecanismos e brechas para ocupar e explorar esse território a qualquer custo, inclusive entoando discursos que incentivam o desmatamento indiscriminado, terceirizando a responsabilidade sobre os cuidados e os danos ao meio ambiente e se ausentando até mesmo frente às ilegalidades.

Sintomas latentes da falta de uma visão de futuro para o país. A oportunidade de contar com a maior parte desse rico bioma em nosso território se transforma então em um risco. Nesse momento, o sentimento é de profunda preocupação, com os índices de desmatamento em níveis elevados e em processo de crescimento, com as queimadas que ganharam o noticiário mundial, com o desmonte da política ambiental do governo e dos principais órgãos de controle, tal como o Ibama e o ICMBio, e com o extremo desrespeito com a ciência brasileira da mais alta qualidade, em especial com o INPE.

A região - e o país como um todo - carece de uma visão integradora, planejada e estruturante, que sirva, não só, mas principalmente, para fortalecer e favorecer as populações locais, entre elas as populações indígenas e ribeirinhas. Elas não apenas conhecem os benefícios dos recursos naturais, que podem ser conscientemente aproveitados para fomentar cadeias de produção, consumo e geração de renda sustentáveis, como também são as mais legítimas guardiãs para garantir que esses recursos não se esgotem, nem sejam usurpados por interesses particulares, que produzem pouco ou nenhum ganho coletivo.

São inúmeros os potenciais para promover um real desenvolvimento na Amazônia, gerando bem-estar e qualidade de vida para todo o Brasil, tendo como princípio a conservação da floresta em pé e a preservação da riqueza sociocultural local. Como? Primeiramente, a sociedade civil deve ser ouvida para que se possa identificar as iniciativas proativas e disruptivas que iluminam os caminhos possíveis para uma Economia Verde, essencialmente inclusiva e eficiente, pois, com técnicas agroflorestais, de bioconstrução, de regeneração do serviços ecossistêmicos, com soluções baseadas na natureza para a gestão das águas e fontes de energia limpa, com incentivos a uma economia circular e solidária, gerando oportunidades de negócios sustentáveis e de base comunitária, como o ecoturismo, podemos de fato fazer um uso inteligente e responsável dos recursos naturais. O segundo passo é acumular vontade política suficiente para adotar um modelo de desenvolvimento que pode ser exemplo para o Brasil e para o mundo.

A Amazônia não deve ser reconhecida mundialmente apenas pela sua importância extraordinária para a regulação do clima e do regime de chuvas, mas especialmente pelo seu potencial em representar a pujância, riqueza e capacidade de inovação do povo brasileiro.

Resta espaço para esperança e força para continuar lutando com proativismo. Que o fogo, as cinzas e as madeiras derrubadas expostas nos jornais de hoje deixem o cenário e abram espaço para a prosperidade, a inovação e a sustentabilidade.

 

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